O MIREX é um Fracasso: Más decisões, nomeações por conveniência e incompetência dos diplomatas

A prática é o critério da verdade e nisso o MIREX está demonstrando acções que estão atingindo dimensões alarmantes, situações preocupantes e graves, porque tudo que faz mostra apenas o camninho que vai em direcção ao fracasso diplomático, basta vermos e analisarmos com atenção o modo como funcionam as nossas estruturas diplomáticas.

A falta de liderança no MIREX coloca em risco uma série de decisões que a muito deveriam ser tomadas em prol do bem da nossa política externa, ainda é visível uma grande incapacidade projectual e programática por parte da Administração do MIREX no seu todo, más decisões são tomadas o tempo todo.

A maioria parte dos diplomatas angolanos são impreparados diplomaticamente e academicamente não qualificados, um e outro com bastante esforço fazem bem o seu trabalho; é evidente o baixo nível intelectual e de competência. Como digo sempre e repito: os nossos agentes diplomáticos parecem mais turistas do que diplomatas, não têm projectos de mandato, nem de longe interessam-se em deixar um bom legado em benefício de Angola no estrangeiro, vejam o Cônsul Geral de Angola no Rio de Janeiro (Brasil) o Sr. Mateus de Sá Miranda Neto, é um diplomata que está mais preocupado com questões pessoais e privadas do que em socorrer as necessidades da comunidade angolana naquele estado, é um Senhor que saiu da categoria de Terceiro Secretário para Embaixador, é alguém que não tem dinâmica de trabalho, não tem visão nem estratégias diplomáticas.

Em base ao artigo 29.° do Estatuto Orgânico do Ministério das Relações Exteriores de Angola, as categorias diplomáticas são: 7) Adido; 6) Terceiro Secretário; 5) Segundo Secretário; 4) Primeiro Secretário; 3) Conselheiro; 2) Ministro Conselheiro; e 1) Embaixador. Este mesmo artigo 29.° faz também menção às categorias consulares: 4) Agente Consular; 3) Vice-cônsul; 2) Cônsul; e 1) Cônsul Geral.

Mas o que o MIREX faz nem mesmo alguém privo de intelectualidade seria capaz de fazer, o diplomata Mateus de Sá Miranda saiu de Terceiro Secretário directamente para Embaixador, vejam os demais ex governadores e ex ministros em fim de carreira, de forma anárquica e irracional são nomeados embaixadores ou cônsules gerais. O mesmo acontece com generais e tantos outros militares, mesmo sem entenderem nada de diplomacia são acomodados nas embaixadas. São problemas como estes que lesam gravemente a nossa política externa, por isso a diplomacia angolana é sem sombras de dúvidas um fracasso.

 As nomeações executadas pelo MIREX não obedecem o critério da «Meritocracia», são nomeações por conveniência, são nomeações que alguém altamente qualificado em Diplomacia jamais consegue entender. Se recapitularmos o despacho n.° 867/2020 de 04 de Novembro, segundo o qual nomearam a Sra. Marina de Almeida como Adida de imprensa para Representar Angola Junto ao Escritório das Nações Unidas em Genebra (Suíça), fica claro que a Direcção dos Recursos Humanos do MIREX toma decisões político-diplomáticas de forma precipitada e emocional, colocando em frente o factor familiarismo, o factor nepotismo ou tráfico de influências, até pode ser que Sua Excelência Adão de Almeida não tenha nada haver com a nomeação da sua prima, mas o factor «parentesco» pode sim influenciar de forma significativa nessas tristes decisões irracionais vindas do MIREX.

A Sra. Marina de facto trabalhou como colaboradora na Rádio Nacional, isso é verdade, mas está desvinculada da Rádio Nacional faz muito tempo, mas seja como for, uma coisa é fazer jornalismo numa Rádio ou numa TV outra coisa é exercer função de Adida de imprensa numa instituição diplomática ou numa organização internacional. De qualquer forma está mais que claro que a Administração Geral do MIREX está muito longe de entender a diferença que existe entre um jornalista de TV (TPA, ZAP News, Zimbo, Palanca), um jornalista de Rádio (MFM, Nacional, Rádio 5) e um jornalista de tipo político-diplomático.

Numa estrutura diplomática quando se fala de imprensa ou de jornalismo aquilo que se exige alí são conhecimentos profundos sobre comunicação no campo político-diplomática. Estudei comunicação política tive 20/20 (não estou a pedir pra ser adido de imprensa), aí as exigências são outras e obedecem uma articulação completamente política, acompanhada de princípios e regras diplomáticas de alto nível. A língua (inglês ou francês) é muito importante mas não é o factor determinante para a promoção de alguém, porque isso de língua podes aprender em 2 ou 3 meses (depende do empenho da pessoa), o factor determinante é mesmo a competência em si, ou seja a bagagem de conhecimento intelectual e formativo em volta do cargo na qual a pessoa ocupa ou na qual foi promovida. A competência (meritocracia) é também sinônimo de desenvolvimento.

Esta nomeação da Prima do Ministro de Estado Adão de Almeida, foi e é um acto não bem racionalizado, e por mais que a indicação de Adida de imprensa é um acto que provém directamente do Ministério das Telecomunicações, o MIREX tem a faculdade de questionar as habilidades, as qualificações académicas e formativas e competências dos respectivos candidatos, mas não o faz porque o próprio MIREX também nunca funcionou bem, o MIREX é um dos Ministérios que tem problemas de organização e de gestão muito a cima da média.

O MIREX é o meu «osso de estimação» ao mesmo tempo é o meu grande pesadelo, as vezes nem consigo dormir de tanto pensar na sua desordem, e é admirável o número elevado de diplomatas incompetentes dentro da nossa diplomacia, a falta de patriotismo é também um problema a se ter em conta, vejam o Adido de imprensa da Embaixada de Angola em Portugal é um português (o Sr. Victor Manuel Branco Silva Carvalho)  em vez de ser um angolano, como isso é possível? Até quando iremos ignorar e desprezar o próprio quadro angolano? Será que nas Missões diplomáticas portuguesas também tem angolanos que ocupam posições de Adidos ou de Terceiros secretários?

Esse tipo de actos e de más decisões só acontecem no MIREX, a incompetência do MIREX é tão grande que está quase atingindo o Céu. Com tantos jornalistas angolanos residentes em Portugal tal como: Carlos Gonçalves, Gabriel Niva, Paulo de Jesus, Gabriel Baguet, e tantos outros angolanos qualificados na matéria, foram logo colocar como Adido de imprensa da nossa Embaixada em Portugal um português sem nacionalidade angolana, isto é na verdade um atentado à Nação, é o cúmulo do fanatismo e da ignorancia por parte do MIREX, e falta de amor ao nosso próprio povo.

Estamos perdidos diplomaticamente, o MIREX é um investimento sem retorno (lucros), investimentos desse tipo em economia são chamados de investimentos não racionalizados, eu chamo isso de investimentos inúteis porque ninguém investe pra perder, e os diplomatas angolanos praticamente não ajudam em nada para mudarem o quadro triste da nossa diplomacia, são diplomatas mais parados do que a estátua do Agostinho Neto lá na Praça do 1° de Maio, são diplomatas que estão dispostos apenas a gastar os dinheiros que saém dos cofres do Estado, vejam a Senhora Stela Santiago Cônsul Geral de Angola em São Paulo (Brasil), é uma Senhora super arrogante, o seu nível de arrogância é igual a sua incompetência, é uma diplomata que está muito longe de entender o que é a diplomacia, é uma diplomata sem diplomacia, foi promovida por conveniência à este cargo, é de tamanha incompetência que não se percebe o porquê que ela ainda continua aí nesse consulado geral.

Essa Cônsul Geral tentou mandar prender uma funcionária do seu consulado (angolana do recrutamento central) por ter denunciado e mostrado o seu descontentamento nas redes sociais pelos maus tratos por parte desta mesma Cônsul, essa Senhora Stela pediu a polícia do consulado para que prendessem a funcionária, sem ter a mínima noção de que as convenções de Viena (de 1961 e de 1963) proíbem detenções de funcionários diplomáticos e consulares. Mas essa triste Cônsul Geral não entende nada disso, entende muito pouco sobre diplomacia, é claro que a funcionária não foi detida porque goza de imunidades consulares. Tratarei melhor deste assunto quando escrever sobre a Embaixada de Angola no Brasil, na verdade falarei das embaixadas de Angola no Exterior, falarei sobre cada embaixada angolana e tudo que acontece lá.

O MIREX está de patas pro o ar, não há projecto, ninguém na direcção do MIREX tem coragem de fazer reformas sérias, estão todos encurralados, por isso é que digo sempre que o Presidente da República precisa apostar nos jovens, essa coisa de termos embaixadores a cima dos 65 e 70 anos só atrasa a nossa diplomacia, precisamos de embaixadores e diplomatas jovens e com visão progressiva.  

O.B.S: Em Janeiro irei publicar uma matéria que fala sobre os Ministros conselheiros e sobre  os Adidos militares, muita coisa sobre o MIREX ainda vem por aí.

Eu e a Diplomacia a Diplomacia e Eu

Por Leonardo Quarenta – O Diplomata

Doutorando em Direito Constitucional e Internacional

Mestrado em Relações Internacionais e Diplomacia

Master em Direitos Humanos e Competências Internacionais

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