Diplomatas angolanos: Quantos têm Diplomas Universitários?



Diferente das ciências exactas, econômicas, financeiras, administrativas, químicas e físicas, a Diplomacia é uma arte, é uma técnica, é um tipo de burocracia que exige da parte de quem o pratica muita competência, inteligência, coerência, estratégias, responsabilidade, criatividade, raciocínio rápido, dinamismo, relações públicas, profissionalismo, conhecimento sobre projectação, além do domínio da persuasão retórica, acção psicológica e espionagem.

Noto explicitamente grandes debilidades por parte dos diplomatas angolanos, são os únicos a nível do Mundo que dificilmente participam de encontros científicos, de debates sobre Direitos Humanos, sobre Cooperação ao desenvolvimento, sobre Política, Economia, Governance, mundanças climáticas, sobre Medicina, Tecnologia, Energia renovável, etc. Nunca vi um só diplomata angolano numa conferência internacional debatendo sobre assuntos sérios político-diplomáticos, os nossos diplomatas preferem muito mais uma boa kizombada ou um bom Semba do que ir aos encontros ligados à dinâmicas da geopolítica internacional, estou sempre nesses encontros e não consigo vê-los.

O nepotismo e o tráfico de influências é um mal que criou raízes dentro do MIREX, temos diplomatas que nem sequer têm 10% de preparação para exercer funções diplomáticas e consulares, muito menos têm formações académicas de alto nível, por isso estou a pensar seriamente em publicar um artigo com a lista de todos os diplomatas angolanos e seus referidos títulos académicos, entre eles veremos quantos possuém diplomas universitários em matérias político-diplomáicas. Irei sim publicar um artigo revelando a formação académica dos nossos diplomatas, e todos ficarão sabendo que o problema é mais grave do se imagina.

Diplomacia é uma das coisas mais sérias e mais importantes da política de um Estado, a função diplomática vai muito além de uma simples função de direcção público-institucional, não é que qualquer um pode e deve ser diplomata, é necessário qualificação, preparação e competências de mais alto nível, infelizmente temos muitos diplomatas “paraquedistas”, a culpa é do MIREX que não consegue usar o critério da meritocracia na hora de seleccionar e de empregar os candidatos, usam o nepotismo dentro do Ministério, muitos mesmo sem formação mínima estão alí ocupando cargos de decisão, tudo porque o Pai é governador ou é general e decidiu colocá-lo a trabalhar no MIREX.

Grande parte dos diplomatas angolanos não têm diplomas universitários, mas não trata-se simplesmente de ter ou não ter diplomas universitários, muitos até têm diplomas, o verdadeiro problema é que esses diplomatas não apresentam nenhum resultado, basta ver os nossos embaixadores pelo Mundo fora, se parecem mais com turistas do que outra coisa, não possuém postura de Representantes, não fazem quase nada, a não ser usar as Embaixadas para interesses pessoais, como: sobrefacturar, empregar familiares e amigos, realizar festas e actividades inúteis, e assim que abrem os olhos o seu mandato terminou, o que fez foi apenas desviar dinheiro através do Sector do Património (corrupção perfeita sem indícios de crimes e suspeitas) mas trabalho em prol das comunidades angolanas nem 7% chegaram de fazer.

Os nossos diplomatas precisam ser estudados e analisados urgentemente, através de métodos e técnicas da psicologia comportamental e psicologia do desenvolvimento, porque como é possível: dizem sempre que não há dinheiro para ajudar um angolano em dificuldade mas dinheiro pra festas e maratonas têm sempre? Preferem empregar estrangeiros nas nossas próprias embaixadas do que o próprio cidadão nacional, como isso é possível? No dia 11 de Novembro eles fazem aquilo que a Bíblia chama de “separar o trigo do jóio”, apenas alguns angolanos são seleccionados e convidados a participar da actividade alusivo à independência Nacional, os demais angolanos são postos de lado, como isso é possível? Até quando a irresponsabilidade e o tribalismo dentro das nossas Embaixadas? Eles fazem isso o tempo todo, é uma prática comum, os nossos embaixadores fazem um péssimo trabalho.

Não consigo ficar calado perante tanta incompetência, vários angolanos em volta do Mundo lamentam-se, clamam por um bom funcionamento e mais profissionalismo por parte dos funcionários diplomáticos das nossas Embaixadas. Só sabem ser arrogantes, manifestam muita arrogância mas trabalhar em prol dos angolanos não sabem, tanta arrogância e pouco resultado, muita arrogância mas pouca formação diplomática, por isso não entendem o que fazem, muitos desses diplomatas ficam tipo caíram directamente do céu para a Embaixada, motivo pelo qual estamos muito atrás na arena internacional, precisamos nos apressar porque se não, daqui a pouco seremos ultrapassados até pela Gâmbia a nível diplomático.

O MIREX funciona como se fosse uma VACA segundo o qual todos querem beber do seu leite, aí está o grande perigo, todos preocupam-se em beber do leite dessa VACA mas ninguém preocupa-se em dar os suplementos necessários à essa mesma VACA de modo que a VACA possa desenvolver-se e produzir futuramente leite com melhor qualidade, com tudo isso quero dizer, que não existe vontade político-diplomática em fazer reformas para mudar o quadro triste do MIREX, porque reformas implica directa ou indirectamente exonerações e mudanças profundas, e isso é contra os interesses de muitos diplomatas que entraram no MIREX por esquemas e por nepotismo, sem mencionar àqueles diplomatas que entraram no MIREX a pós independência e nem sequer ensino Médio e ensino de base têm, parece brincadeira mas é verdade, e se eu fosse o Ministro das Relações Exteriores de Angola acabaria com toda essa desordem, é hora de dar uma nova imagem à nossa Diplomacia.

As embaixadas angolanas na prática servem mais para fazer o salário dos diplomatas, não sabem o que é diplomacia, como disse esses nossos diplomatas estão mais pra turistas, são turistas com vistos super prolungados (anos sabáticos), é como se fosse uma forma de aposentar-se antecipadamente, para outros é mesmo aposentação, basta ver que muitos dos nossos embaixadores estão a cima dos 65 anos de idade, porque o governo prefere acomodá-los dando-lhes uma Embaixada ou um consulado para chefiar em vez de mandá-los pra reforma e substituí-los por jovens competentes e dinâmicos.

Estou decepcionado com a Diplomacia angolana, a culpa é do MIREX.

«Eu e a Diplomacia a Diplomacia e Eu»

Por Leonardo Quarenta

Doutorando em Direito Constitucional e Internacional