O MIREX: Instituto Superior de Relações Internacionais Venâncio de Moura



No passado dia 19 de Agosto do corrente ano, foi publicado pelo MESCTI (Ministério do Ensino Superior Ciência, Tecnologia e Inovação) um Memorando sobre o Processo de Implementação da Reorganização da Rede de Instituições Públicas de Ensino Superior em Angola, segundo o qual o ponto 2, alínea E, n.° 9, deste Memorando, menciona o Instituto Superior de Relações Internacionais Venâncio de Moura um dos institutos a ser extinto, a informação foi confirmada pelo Director Geral do instituto o Embaixador Alfredo Dombe, na sequência do encontro realizado no dia 21 do mesmo mês de Agosto entre a direcção do instituto e a Associação dos Estudantes do referido instituto (AEISRI).

É uma decisão que está causando indignação aos estudantes do instituto, aos professores, aos encarregados de famílias e aos membros da sociedade civil. Este instituto é o único instituto estatal de Relações Internacionais, e essa estrutura é muito nova, entrou em funcionamento apenas no ano passado, mas o curso de R.I, será logo existinto dentro de 4 a 5 anos assim que os actuais estudantes concluírem a formação de Licenciatura.

O instituto Venâncio Moura será transformado ainda este ano em «Academia Diplomática», assim disse o Embaixador Alfredo Dombe. Obviamente essa é uma decisão incorrecta, é incorrecta  por vários motivos: primeiro porque de forma geral em Angola temos pouca formação ligada a diplomacia, por outra (como já foi dito) esse instituto é o único instituto superior estatal de Relações Internacionais que temos em todo o Território Nacional.

Essa decisão demonstra claramente que o Estado angolano não tem nenhum interesse em difundir estudos e investigações científicas relacionadas a Diplomacia, desse jeito teremos sempre poucos quadros especializados em matérias político-diplomáticas, e segundo Paolo Balladelli Representante da ONU em Angola (Coordinador residente no País), estatisticamente Angola é um dos países membros da ONU com menos angolanos nessa  Organização, e com o cancelamento (daqui a 4-5 anos) do programa de Licenciatura de Relações Internacionais no ISRI, isso vai piorar na debilidade angolana no que concerne aos conhecimentos diplomáticos.

Apesar que a decisão de excluir o instituto foi do MESCTI eu culpo o MIREX por tudo isso, deveria é haver um acordo entre o MESCTI e o MIREX, de modo a não ser jogado por terra o desejo dos futuros jovens universitários que pretendiam estudar no ISRI, agora assim o instituto vai deixar de existir e vai renascer com um novo rosto denominado «Academia Diplomática», uma Academia segundo o qual somente diplomatas terão acesso, isso leva-me a concluir que o MIREX olhou mais para os seus interesses do que no interesse geral, por isso não se opôs à decisão do MESCTI, porque isso lhe dá grandes vantagens, além de ter o contolo total da Academia, apenas eles, familiares e amigos terão acesso ao mesmo.

Angola desde sempre teve péssimos diplomatas, os nossos diplomatas entendem pouco de diplomacia, mas esta decisão de excluir o ISRI deixou-me esturperfacto, não contava com isso, apesar que, muitos dos professores que ensinam aí não são completamente preparados, ainda assim seria de preferência manter o curso de R.I nos próximos 20 anos.

Vários estudantes do ISRI me enviam mensagens, manifestam seu descontentamento sobre certas coisas e professores que têm, pedem-me palestras e pedem para eu ser o maestro deles de Diplomacia. Humildemente falando eles me seguem porque eu tenho o que eles procuram: conhecimento puro sobre diplomacia, técnicas de mediação e gestão de crises, entendo de relações públicas e carrego comigo a deontologia profissional ético-diplomática, os meus 8 diplomas universitários (maioritariamente em Diplomacia e em Direito) não são apenas papéis, são conhecimentos, fruto de muito estudo, sacrifício e pesquisas constantes.

Diz-se que, a decepção vem sempre de quem tanto amamos, e eu estou muito  decepcionado com o MIREX, porque eu amo a Diplomacia e o MIREX não tem feito grandes esforços para melhorar o bom funcionamento das nossas embaixadas e consulados, o MIREX nunca apresentou um programa concreto para revolucionar a nossa Diplomacia de modo a catapultar Angola nos mais altos níveis na Arena Internacional.

A final de contas o que se passa com o MIREX? As reformas que tanto se fala estão pra quando? Os embaixadores e cônsules incompetentes e a cima da idade continuarão aí por quanto tempo? Os jovens altamente qualificados quando é que terão o controle do Ministério e das Embaixadas? Queremos ou não o bem da nossa diplomacia? A prática sendo o critério da verdade, tudo que vejo é que os dirigentes do MIREX não querem o bem da nossa diplomacia, eu tenho dito sempre: o nosso Ministério das Relações Exteriores precisa de novos autores (jovens formados e competentes) para levarem em frente o barco da diplomacia angolana, fora disso não vamos ao lado nenhum.

Entre todos os Ministérios que existe no nosso País o MIREX é o Ministério que mais amo ao mesmo tempo é o Ministério que mais me decepciona, porque eu sinto que, com pessoas certas nos lugares certos (meritocracia) a nossa diplomacia daria passos gigantes, diplomacia é acção, é técnica projectual, é propaganda, é estratégia e persuasão de potenciais investidores, diplomacia não funciona se o diplomata é estáctico ou fraco intelectualmente, os nossos diplomatas são mais amantes de festas (divertimentos, futebol, filmes, jacuzzi) do que amantes dos trabalhos na qual foram inseridos: trabalhos consulares e político-diplomáticos.

E um verdadeiro diplomata precisa dominar e conhecer um pouco de tudo: direito, economia, política, espionagem, projectação e relações públicas, mas uma boa parte dos nossos diplomatas infelizmente nem um só diploma universitário bem acabado têm, por isso se metem a passear nas embaixadas e nos consulados em vez de trabalhar, e assim que terminam o mandado, voltam sem terem feito nada de relevante, tristemente é isso que normalmente acontece. A nossa diplomacia é um fracasso, essa situação precisa mudar!

O MIREX me causa mais decepção que a minha própria namorada! A culpa é da Diplomacia Angolana.

«Eu e a Diplomacia a Diplomacia e Eu»

Por Leonardo Quarenta Doutorando em Direito Constitucional e Internacional

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