Se eu fosse Ministro das Relações Exteriores de Angola



Toda a verdadeira diplomacia e todas as técnicas diplomáticas giram em volta de mecanismos político-jurídicos e de procedimentos burocráticos, que exigem estratégias que convençam o público estrangeiro a concluir que, o teu País é atrativo e que apresenta melhores oportunidades e condições de negócios em diferentes áreas econômico-comerciais.

A nossa diplomacia, há décadas, que não apresenta resultados que se reflicta positivamente na vida de cada cidadão, em parte porque as pessoas que dirigem o MIREX não são dotadas de conhecimentos estratégicos no âmbito diplomático, por outra a maioria dos nossos diplomatas não são dinâmicos, são parados e acomodados dentro dos seus escritórios, não têm a mínima noção de que a diplomacia não é estática.

Um diplomata precisa estar em constante movimento, criando projectos e contactos de investimentos e de financiamentos estrangeiros.  

Se eu fosse Ministro das Relações Exteriores primeiramente daria início à reformas profundas e significativas, tendo o consenso e a autorização do Presidente da República e sua total confiança em prol de Angola, faria uma série de mudanças dentro do MIREX, implementaria uma nova dinâmica de trabalho, começando pela Secretaria Geral até ao último funcionário do MIREX, afastaria uma série de embaixadores, cônsules e outros oficiais ou representantes diplomáticos que nada fazem a favor do País e dos angolanos.

Como Ministro o meu programa seria completamente prático, todo o diplomata antes de ser enviado para chefiar uma embaixada ou um consulado, teria de ser avaliado por uma comissão altamente competente e imparcial, o diplomata teria de provar que é qualificado e que merece representar ANGOLA no exterior, passaria por testes práticos envolvendo sua capacidade projectual, ou seja, o respectivo diplomata teria que demonstrar, que pode criar mecanismos que levariam empreendedores ou grandes empresários a financiarem o nosso País nesse ou naquele sector, nesse ou naquele projecto.

Se eu fosse Ministro das Relações Exteriores, ninguém entraria a trabalhar no MIREX sem os devidos requisitos académicos aceitáveis, não permitiria que alguém fosse promovido a embaixador, cônsul ou ministro conselheiro caso não fosse um quadro competente. Sob a minha liderança todos os diplomatas no mínimo teriam de possuir a Licenciatura em diferentes áreas do saber, sobretudo formação universitária no campo político-diplomática, Relações internacionais, Direito internacional, Direitos humanos, Economia, Comunicação e Marketing, Relações públicas e institucional, Sociologia, Psicologia do trabalho e das organizações, Mediação e integração cultural, Recursos humanos e cursos administrativos.

A minha gestão dentro do MIREX seria muito séria e rigorosa, colocaria pessoas certas nos lugares certos, promoveria a meritocracia, seleccionaria com cuidado e inteligência o pessoal interno e externo, cada área e sector da instituição seria preenchido por funcionários dotados de conhecimentos nas tarefas que lhes forem incubidos, e haveria como já foi dito, uma comissão político-diplomática específica, que teria a função de decidir o corpo-diplomático a ser enviado em missões diplomáticas. Todos os diplomatas sem excepção, devem provar de estar aptos para trabalharem e liderarem uma instituição diplomática. 

Todo este controlo e rigor fará com que tenhamos uma diplomacia mais dinâmica e activa, a nossa diplomacia seria mais progressiva. Caso não houver interferências ou boicotes no meu programa de trabalho, num espaço de 2 a 4 anos, em todas as nossas embaixadas e consulados, teríamos um grupo de funcionários diplomáticos completamente comprometidos com os interesses nacionais, esses trabalhariam em prol de Angola e das comunidades angolanas na diáspora, porque eu em primeira pessoa junto à minha staff fiscalizadora, faríamos questão de avaliar e de inspeccionar atentamente “o antes e o depois”: o empenho dos diplomatas e o funcionamento das nossas instituições diplomáticas.

Portanto, não haveria espaço para diplomatas “parados e irresponsáveis” dentro das embaixadas e dos consulados angolanos, mesmo àqueles que possuírem os requisitos formativos, terão que demonstrar na prática de que, os seus diplomas universitários não são apenas papéis, esses passariam também por testes psicológicos e deontológicos antes de serem inseridos no grupo dos representantes, porque o que vejo nesses nossos diplomatas actuais é um autêntico “conto de fadas”, ou seja, não fazem quase nada, são mal formados e o nível de incompetência é alto, não conseguem promover e difundir o nome de Angola.

Se eu fosse Ministro das Relações Exteriores, todos os possíveis candidatos a serem enviados como embaixadores e cônsules, terão de convencer e mostrar à comissão avaliadora competente, um programa detalhado sobre quais os objectivos que pretendem alcançar em prol do País caso fossem promovidos a chefiar uma missão diplomática, esses programas de trabalho devem dar resultados e surtir efeitos positivos.

Como Ministro jamais permitiria dentro do MIREX funcionários impreparados nessa ou naquela matéria, não importa qual for o seu sector de trabalho, não importa se é um sector de nível alto ou sector de nível baixo, todo e qualquer funcionário tem de saber fazer bem o seu trabalho, tem de ser qualificado. Se trabalha na área da comunicação tem de fazer bem o seu trabalho, se está na área dos recursos humanos ou na área das finanças tem de fazer bem o seu trabalho, se faz parte da área da limpeza deve fazer bem o seu trabalho, se trabalha na Secretaria Geral deve fazer bem o seu trabalho, não importa qual for a categoria do funcionário, o contributo de todos é essencial para o crescimento do Ministério.

Sob a minha administração, não aceitaria recomendações ou ordens de promover esse ou aquele funcionário caso tal funcionário não mereça, convivi e convivo com cidadãos americanos, ingleses e com outras pessoas super inteligentes, com eles aprendi o valor da meritocracia, sendo assim, qualquer funcionário do MIREX se quiser ser promovido tem de merecer e convencer. Todo o diplomata tem de ser responsável e qualificado de modo a levantar e atrair bons investimentos pra a nação, quem não for dinâmico e competente não será promovido, de consequência será substituído das suas funções.

Enquanto Ministro este meu programa político-diplomática, só daria resultados positivos caso deixarem-me trabalhar tranquilamente, sem ingerências. Se deixarem-me implementar estratégias e instrumentos eficazes focalizados em levantar o País, dar a conhecer as potencialidades de Angola no estrangeiro, atrair financiamentos e projectos de alto nível em prol dos interesses nacionais e das nossas comunidades, então num espaço de 2 a 4 anos a nossa diplomacia estaria completamente crescida e desenvolvida, a nossa posição na arena internacional estaria a cima de muitos países africanos, estaríamos diplomaticamente em posições relevantes ao lado de países ocidentais.

Diplomacia é a verdadeira arte da negociação, ao mesmo tempo é sinônimo de propaganda, informação, promoção e boa imagem política de um País, tudo isso se faz e se alcança com trabalho árduo, esse trabalho exige técnicas e habilidades. Caso fosse Ministro das Relações Exteriores, no fim do meu mandato a imagem de ANGOLA no estrangeiro estaria renovada, o MIREX teria outra dinâmica, os funcionários fariam as coisas com responsabilidade e inteligência, as nossas comunidades na diáspora confiariam nas embaixadas, nos consulados e nos representantes (diplomatas) angolanos, e a colaboração entre eles seria caracterizada pelo espírito de patriotismo, solidariedade e irmandade.   

Se eu estivesse no comando do MIREX, faria uma remodelação profunda de todo o pessoal interno e externo do MIREX, se for necessário reduzir 90% do pessoal e substituí-los por outros para o bem do Ministério e do País que assim seja, porque coisas sérias e positivas exigem decisões difícies (sacrifícios) e trabalhos direccionados aos resultados, porque ao meu ver o “MIREX está doente”, o “MIREX é um paciente em coma”, o sistema está viciado, e as reformas não devem ser feitas de forma superficial como normalmente acontece, sai um Ministro e entra um outro, e todos eles fazem “reformas superficiais”, isso não resolve em nada o problema, no caso angolano as reformas devem ser mesmo profundas.

Tendo em conta todas estas complexidades, caso fosse Ministro das Relações Exteriores de Angola, no meu programa aplicaria certos procedimentos jurídico-burocráticos com intenção de mudar a imagem do MIREX, faria um trabalho sério, responsável e rigoroso, porque só sei trabalhar com resultados, e os resultados não aparecem caso não sejam implementados princípios e mudanças que giram dentro e em volta da competência, inteligência e conhecimemtos tecnocráticos.

Muitos chegam a trabalhar no MIREX por influência de A, B, C, D, ou porque o Pai é governador, ministro, deputado ou director nacional, mesmo sem serem qualificados ou preparados para serviços consulares e diplomáticos. Com todo esse nepotismo e influência no final qual é o resultado? O que acontece depois? Tudo fica estagnado, é isso mesmo que acontece: “estagnação quase total das nossas instituições diplomáticas reduzidas ao fracasso”, tudo porque temos muita gente errada no lugar errado. Sob a minha liderança, mudar esse quadro triste seria uma das minhas grandes prioridades, trabalharia somente com pessoas competentes, qualificadas e responsáveis.

A diplomacia angolana ainda pode ser uma das melhores do Mundo, eu acredito nisso com todas as minhas forças, mas com esse MIREX, com esses dirigentes e diplomatas, é praticamente impossível, isto tá claro, é preciso gente nova e dinâmica.

Se eu fosse Ministro das Relações Exteriores, a nossa diplomacia seria formada por um pessoal maioritariamente jovem (dos 24 até aos 50 anos de idade), parte dos diplomatas antigos e com idade avançada (dos 51 até aos 65 anos de idade) estariam aí para passar sua experiência e conhecimentos, mas 80% de todo o pessoal terá de ser jovem, jovens formados, qualificados e competentes, não basta ser jovem com diploma universitário, mas sim jovens dinâmicos e habilitados, jovens práticos, responsáveis e patriotas.

Sob a minha administração, teríamos de ter missões diplomáticas fortes nos lugares e nos países mais estratégicos do Mundo, sem se esquecer de países como Canadá, Austrália e Nova Zelândia, a nossa presença nesses territórios teria de ser uma realidade sonante, tudo isso eu faria caso fosse Ministro das Relações Exteriores, mudaria o quadro completo das nossas embaixadas e consulados, o MIREX seria um orgulho nacional.

A minha prioridade seria implementar a todo o custo os interesses nacionais, congregaria e ajudaria as comunidades angolanas na diáspora, tudo na base da justiça social, da meritocracia e da igualdade de oportunidades, é exactamente isso o que eu faria, o cidadão angolano seria muito mais valorizado e respeitado, os recrutamentos locais nas nossas embaixadas e consulados seriam exclusivamente para os angolanos, isso de empregar e de priorizar o estrangeiro em vez do nacional seria erradicado, daria um fim nisso, acabaria também com o nepotismo e com o amiguismo dentro das nossas instituições diplomáticas.  

Sob a minha gestão, apoiar o povo angolano seria uma das minhas prioridades de carácter obrigatório, e em caso de emergências, dificuldades e outras necessidades nenhum angolano seria abandonado ou deixado cada um a sua sorte, às nossas embaixadas e consulados teriam a obrigação imediata de socorrer o filho da Terra, independentemente da sua filiação partidária, se é angolano deve ser ajudado e apoiado incondicionalmente.

Se fosse Ministro das Relações Exteriores é assim que eu trabalharia: com foco nos investimentos, financiamentos, criação de projectos relevantes, acordos econômico-comerciais, promoção cultural, difusão do bom nome do nosso País e valorização dos nossos compatriotas e filhos de ANGOLA: de Cabinda ao Cunene um só povo uma só nação! 

No campo político-diplomático eu sou um “tecnocrata”, trabalho com resultados, me focalizo o tempo todo em como dar soluções à complexidades que envolvem projectos e estratégias que façam crescer e desenvolver uma organização, ao mesmo tempo sou um burocrata altamente qualificado e competente na arte na negociação, tudo isso junto é sinônimo de “perfeição diplomática”, é sinônimo de diplomacia pura.

O.B.S: Isso aqui não é um ideal, muito menos utopia, é algo que pode ser concretizado, tudo requer conhecimento, competência e transparência, com trabalho árduo (pessoas certas nos lugares certos) a nossa diplomacia daria sim passos gigantes. Sou um tecnocrata, apenas trabalho com resultados, por isso sou mais prático do que teórico. 

Por Leonardo Quarenta

Doutorando em Direito Constitucional e Internacional

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