Eu e a Diplomacia a Diplomacia e Eu



A diplomacia enquanto instrumento da política internacional exige técnicas burocráticas, estratégicas e conhecimentos concretos sobre normas e princípios do Direito internacional, Direito Constitucional, Relações públicas, técnicas de espionagem e de contra espionagem, persuasão nas negociações e nos acordos econômico-comerciais, político-militares e acordos de consultoria financeira ligados ao desenvolvimento sustentável, à curto, a médio e a longo prazo a favor do Estado.

A minha relação com a diplomacia (iniciada em 2014) tem sido “perfeita” e evolui a cada dia que passa, não simplesmente por longos anos de estudos e de pesquisas constantes relacionadas à matérias político-diplomáticas, mas também graças a minha ascenção em 2018 como Representante Geral da Universidade Internacional São Tomás de Aquino-Angelicum, junto Assembleia Geral dos Estudantes das Universidades Pontifícias e Católicas de Roma, posição que ocupo até hoje.

A partir deste momento a minha aparição e encontros com diplomatas e agentes consulares de diferentes países e organizações internacionais tem aumentado significativamente, além dos vários debates, seminários e conferências realizadas dentro de embaixadas e consulados, na qual as vezes sou convidado como moderador.

            Noto uma grande “dificiência diplomática” por parte dos diplomatas angolanos, o seu modo de fazer diplomacia é meio débil e precário, ou seja carecem de estratégias viáveis capazes de levantar e fazer prevaler os interesses da Nação e dos seus cidadãos. Digo isto porque a diferença entre os nossos diplomatas e os diplomatas de outros países é abismal, esses últimos fazem as coisas com eficácia e eficiência, com eles é tudo muito racionalizado, prático e concreto, enquanto os nossos diplomatas além de serem muito teóricos, não manifestam vontade em realizar um determinato projecto.

            Sempre que sou convidado por amigos e colegas estrangeiros (ocidentais) que trabalham em Embaixadas, Consulados e ONG’s, para dar o meu contributo enquanto especialista em “Diplomacia, Projectação e Direitos Humanos”, no fim os projectos traçados chegam há um bom porto, não porque dei o meu contributo (que na verdade têm sido de grande relevância), mas porque esses tais diplomatas e os cidadãos do seu País são responsáveis, investem fortemente, são competentes e todos se unem por uma única causa que é: promover e dar maior visibilidade à sua Nação e ajudar o seu povo através de investimentos e projectos de bolsas de estudos e arrecadação de fundos.

            Tudo isso é possível realizar caso haja vontade e investimentos por parte dos nossos representantes diplomáticos em traçar bons projectos de diferentes âmbitos. A muito que tenho presenciado isso noutras embaixadas, sou angolano mais páro muito mais nas instituições diplomáticas de outros países do que nas nossas próprias embaixadas. Parece irónico mas a verdade é que, os outros sabem valorizar os seus cidadãos e dão mérito há quem merece, eu não sou ocidental mas o conhecimento é sinônimo de poder, por isso sou visto por muitos como um sujeito importante.

            Enquanto as embaixadas e os consulados angolanos não trabalharem como deve ser e os nossos diplomatas não mudarem de postura e seu modo de actuação, eu estarei sempre na linha da frente para criticar e sugerir novas dinâmicas em prol da diplomacia angolana, porque na qualidade de ser um cidadão patriota e especialista na matéria, sou o primeiro a desejar que as coisas mudem nas nossas instituições diplomáticas, mas do que isso, psicologicamente as vezes pesa-me bastante, estar com certa regularidade com diplomatas estrangeiros nas suas embaixadas e noutros lugares debatendo e falando sobre projectos, diplomacia, direitos humanos e outros temas relevantes de âmbito internacional, sabendo que, os nossos próprios diplomatas pouco se preocupam com isso (projectos), muito menos se interessam com o andamento e com a evolução do equilíbrio sistémico internacional. É naverdade uma situação preocupante.

            Proponho um curso de aperfeiçoamento a favor dos diplomatas angolanos, ou seja uma formação prática político-diplomática de alto nível: uma vez ao sábado por um período de dois meses, 4 horas por cada encontro, na qual humildemente, academicamente e profissionalmente, gostaria de mostrar e demonstrar na prática, os requisitos básicos que permitiriam os nossos representantes terem sucessos nos projectos relevantes e imediatos das nossas Embaixadas.

Essa formação teria os seguintes módulos:

1 – Comunicação Político-diplomática: nesse primeiro módulo ensinaria como se faz uma verdadeira comunicação de tipo político e diplomático, como falar em público em base ao nível académico, em base a mentalidade e a classe social do respectivo público. Mostraria como se faz discursos retóricos (breves e longos) sem a necessidade de usar papel ou laptop. Ensinaria isso e muito mais, porque é a partir da comunicação político-diplomática (quando é bem feita) que é possível dar maior visibilidade à nação na diáspora, através da promoção, informação e “acção psicológica” aos estrangeiros e aos outros povos a favor dos interesses nacionais.

2 – Diplomacia Econômico-comercial: este módulo é mais que fundamental, praticamente esse é o fim último da diplomacia moderna: fazer acordos sobre cooperação ao desenvolvimento, atrair bons investimentos e financeimentos de modo a permitir o crescimento do País. Portanto, essas atracções econômicas para que se concretizem é preciso que se metam em prática uma série de mecanismos, instrumentos e técnicas eficazes, é exactamente isso que eu ensinaria “perfeitamente”, de modo a não deixar dúvidas e incertezas.

3 – Projectação: em diplomacia a “projectação” é a base de qualquer coisa (início-percurso-realização). Todo o diplomata tem a necessidade e a obrigação de saber como se faz um projecto educacional, ambiental, financeiro, projectos de bolsas de estudos, de intercâmbio cultural, turismo, projectos sobre segurança pública, nacional e internacional, de luta à criminalidade, combate a fome etc. É a partir do “factor projecto” que um diplomata (embaixador, cônsul, adidos entre outros) irá/irão dar seguimento ao seu trabalho ou programa de mandato. Tendo conhecimentos em projectação o agente diplomático saberá como se movimentar, saberá como agir, saberá como e onde se direccionar.

4 – Direito Internacional: esse módulo é muito importante para dar a entender como funciona o mundo jurídico internacional que disciplinam as relações entre os Estados. De modo especial neste módulo falaria sobre as imunidades diplomáticas e consulares segundo a Convenção de Viena de 1961 e 1963, falaria também dos limites destas mesmas imunidades, ou seja onde iníciam e onde terminam as imunidades.

5 – Diplomacia e Espionagem: aqui falaria sobre os diferentes tipos de espionagens que ocorrem e que podem ocorrer dentro das instituições diplomáticas, falaria dos aparelhos e dos instrumentos tecnológicos usados para colectar informações privilegiadas de um Estado. Existem mil e uma forma de espionar uma Embaixada ou Consulado. Não falaria simplesmente disso, falaria também das técnicas de mediação e de gestão de crises, entre outros argumentos fundamentais relacionados a temática.

Esses seriam os módulos na qual eu estaria disponível a dar aos diplomatas angolanos interessados, obviamente existem muitos outros módulos, poderia até acrescentar mais alguns módulos importantes, mas para um curso de aperfeiçoamento político-diplomática esses módulos não podem faltar nunca. É hora de apostarmos no que é nosso, devemos dar espaço e oportunidades ao cidadão nacional. As formações práticas ou as consultórias diplomáticas e consulares em prol dos nossos diplomatas os próprios nacionais qualificados podem fazê-lo, temos de deixar de chamar o europeu.   

As embaixadas angolanas poderiam realizar e arrecadar uma série de investimentos caso soubessem aplicar correctamete as técnicas político-diplomáticas. Um diplomata precisa ser completo, e para ser completo o diplomata precisa estudar muito, precisa empenhar-se dia e noite, precisa ter conhecimentos sobre “direito, política, economia e espionagem”, porque a diplomacia é um pouco de tudo isso. O verdadeiro diplomata precisa ser competente e qualificado, caso o contrário em vão é a sua presença dentro de uma Embaixada ou Consulado.

O MIREX claramente já demonstrou não ser muito transparente, justo e competente na selecção da maioria dos nossos diplomatas, os resultados falam por si, o MIREX parece ser um “homem velho” a cima dos 114 anos, sem forças para andar e sem voz para comunicar-se. Com isso quero dizer que as coisas devem ser inovadas e renovadas, temos muitos diplomatas que já passaram da reforma e que ainda estão aí a trabalhar. Só pra dar um exemplo concreto: a Senhora Rosa de Almeida Chefe do Sector de Saúde da Embaixada de Angola em Portugal tem 84 anos de idade.  

Respeitosamente e humildemente falando, penso que, a Sra. Rosa a muito que deveria ser já pensionada, deveria relaxar, cuidar dos netos, dando lugar aos mais jovens. A Sra. Rosa não é única temos muitos outros, ou seja temos muitos diplomatas que já atingiram a casa dos 70 e 80 anos, mas passam o tempo todo evitando a reforma, por causa dos salários e das regalias, desse jeito as nossas instituições diplomáticas não vão ao lado nenhum, porque diplomacia é dinâmica, criatividade e muita acção.

Há muito sangue novo angolano (qualificados) procurando empregos nas áreas consulares e diplomáticas, mas não são empregados, em parte isso é culpa desses diplomatas, que mesmo estando na idade da reforma ainda assim preferem acomodar-se dentro das embaixadas e dos consulados, deixando de fora e no desemprego muitos jovens angolanos formados. O Ministério das Relações Exteriores de Angola a muito que precisa de uma remodelação profunda e concreta.

O.B.S: Não basta estudar para saber como funciona a diplomacia, é preciso também ter uma relação próxima e íntima com a própria diplomacia, isto é, é preciso ter “inclinação” e “carisma” para tal. A “Diplomacia e Eu, Eu e a Diplomacia”: o nosso sentimento vai além do Amor! É uma relação perfeita e 100% incondicional.

Por Leonardo Quarenta

Doutorando em Direito Constitucional e Internacional

Tagged: ,

Leave comment

Your email address will not be published. Required fields are marked with *.