Carta aberta ao Presidente João Lourenço sobre as Embaixadas e Consulados angolanos



Cordiais saudações Sua Excelência camarada Presidente general João Lourenço, que a paz, o amor e a harmonia estejam sempre do seu lado, dando-lhe motivação e sabedoria no exercício das suas funções político-administrativas em frente dos destinos do nosso belo e grande País que é Angola, um País que todos nós amamos e que temos a obrigação ético-moral de contribuir para o seu desenvolvimento em base às nossas faculdades e habilidades.

Senhor Presidente na qualidade de Sua Excelência ser o garante e o promotor da unidade nacional, e também na qualidade de ser o representante número um da nação no plano internacional (art. 108.°, n.° 4 CRA), é hora do camarada Presidente começar a preocupar-se um pouco mais com as nossas missões diplomáticas, que nada fazem a favor dos interesses nacionais e das comunidades angolanas na diáspora.

Senhor Presidente no geral os diplomatas que temos são mal preparados diplomaticamente, carecem de formação adeguada para exercerem correctamente as responsabilidades que lhes são incubidas, além da incompetência e arrogância usam o nepotismo e o amiguismo nas vagas das embaixadas e dos consulados.   

 Sua Excelência a falta de programa político-diplomática por parte dos nossos representantes, e também a carência enorme de quadros angolanos aptos e qualificados em matérias diplomáticas dentro das nossas embaixadas e consulados, faz com que o nome de Angola não seja bem promovido no estrangeiro, isto dificulta significativamente a atracção de investimentos e de financiamentos internacionais privados em prol da nossa nação.

Presidente João Lourenço estas promoções e difusão em massa de informações a favor de Angola, requer técnicas e habilidades de alto nível, coisas que infelizmente os nossos diplomatas não têm domínio, e como se não bastasse nos recrutamentos locais empregam familiares e amigos, deixando de fora àqueles cidadãos angolanos bem formados e que muito poderiam contribuir para o bom funcionamento das nossas instituições diplomáticas.

Sua Excelência se o objectivo é pensar ANGOLA então este é o momento certo de fazer exonerações profundas de embaixadores, cônsules e outros diplomatas e substituí-los por jovens angolanos competentes e formados em diplomacia, jovens qualificados capazes de darem a conhecer ao mundo o nome do nosso País e não só, jovens capazes de darem uma nova dinâmica e nova forma de actuação das nossas embaixadas e consulados.

Camarada Presidente uma diplomacia bem feita permite o crescimento e o desenvolvimento de uma Nação, e o quadro actual da nossa diplomacia vai de mal a pior. Excelência o tempo corre, o tempo passa rápido, o tempo não espera por ninguém, e Angola está ficando cada vez mais atrás na esfera internacional em relação aos outros países africanos que continuam dando passos significativos, como o Rwanda, África do Sul, Egípto, Argélia, Tanzânia, Tunísia, Marrocos, Etiópia, até a pequena Namíbia a sua diplomacia tem crescido muito, e nós continuamos a cair e a decair dia após dias. 

Senhor Presidente é hora de promover os jovens, é hora dos jovens assumirem o comando geral das nossas missões diplomáticas, jovens altamente competentes e preparados, esses jovens existem apenas esperam por oportunidades para assim darem o seu contributo em prol de Angola. Excelência é hora de trabalhar com todos, não apenas com os membros do partido. Entre os membros da sociedade civil existem cidadãos dinâmicos e qualificados, a prioridade aqui é o País que deve ser posto em primeiro lugar.

Camarada João Lourenço os actuais representantes (diplomatas) angolanos passam a maioria do tempo gastando os dinheiros do Estado realizando festas e outras atividades inúteis, não organizam encontros científicos nem debates de âmbitos político-económicos, soció-culturais, debates nacionais e internacionais, carecem de acção e dinamismo.   

Senhor Presidente é alarmante a falta de capacidade e de competência diplomática e preparação académica aceitável por parte de muitos dos nossos diplomatas, isto impossibilita promover devidamente o País.

Inúmeros estrangeiros nem sequer imaginam que existe uma nação com o nome Angola, pude notar isso porque duas, três, cinco vezes ao mês, participo em convênios e confêrencias ligados à diplomacia e aos direitos humanos. Sempre que sou convidado como moderador ou como parte do debate do encontro, ao dizer que venho de Angola o público (europeus, americanos e parte asiática) ficam admirados, nem sequer fazem ideia de que existe um “País Angola” e onde é sua localização geográfica, somente quando digo que é próximo da África da Sul de Nelson Mandela, é que todos fazem minimamente ideia onde fica e onde pode ser localizado o nosso Território.

Camarada Presidente João Lourenço os nossos diplomatas fazem realmente um péssimo trabalho, não pensam Angola e nem fazem nada a favor dos angolanos. As nossas missões diplomáticas precisam de uma nova dinâmica, é necessário trabalho sério caso queiramos levantar a diplomacia angolana.

Sua Excelência, do mesmo jeito que o Senhor fez uma profunda remodelação ministerial no mês de Abril, é também chegado o momento do Camarada Presidente fazer uma remodelação (exonerações) profunda nas nossas instiuições diplomáticas. Senhor Presidente os jovens angolanos competentes e qualificados precisam assumir o comando total das nossas embaixadas e consulados, é hora do País mostrar ao Mundo as suas potencialidades e valores, temos um grande País, necessitamos ser conhecidos e estar bem posicionados a nível internacional, isso será possível caso tenhamos novos quadros diplomáticos maioritariamente jovens, dinâmicos, preparados e altamente qualificados. Esses jovens devem assumir o poder, e as posições estratégicas da nossa diplomacia.

Sem mais nada a dizer desejo ao Camarada Presidente muita tranquilidade e sucesso, que esta carta lhe encontre com boa disposição, saúde e paz de espírito, espero um feedback positivo por parte de Sua Excelência sobre as mudanças profundas que devem ser feitas no MIREX, nas nossas embaixadas e consulados. Cordiais Saudações, in Christ Leonardo. 

Por Leonardo Quarenta

Doutorando em Direito Constitucional e Internacional

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