Angola: ativistas pedem auditoria do combate à Covid-19

Ativistas exigem que a gestão dos recursos de combate à pandemia de Covid-19 seja mais transparente no Kwanza-Norte. Governador da província diz que não há nada a esconder e pede à imprensa: “Investiguem”.

Ativistas ouvidos pela reportagem da DW África reclamam da aparente falta de condições adequadas nos lugares escolhidos pelo Governo do Kwanza-Norte para acolher os doentes de Covid-19. O Governo central liberou 75 milhões de kwanzas – o equivalente há 114 mil euros – para que a província enfrentasse o coronavírus. O destino dos recursos está a ser questionado por alguns ativistas ouvidos pela reportagem.

O ativista Vidinic Hebo defende uma auditoria na gestão dos recursos públicos provinciais, especialmente nos fundos destinados ao combate da pandemia no Kwanza Norte. Hebo diz que a doença acabou gerando oportunidades perigosas para se ver a pandemia como um negócio.
“É preciso dizer quanto tem, quanto não tem e como se vai combater a pandemia. Se não existe dinheiro, que o digam. Como já sabemos, as pessoas que governam desde 1975 têm sempre esse problema de gestão, nunca falam a verdade”.

O professor do ensino secundário e politólogo Manuel Gonga sugere uma auditoria ao governo da província, porque não estaria claro se os recursos estariam a ser aplicados da forma planeada. “Os 75 milhões de kwanzas aqui no Kwanza-Norte, desconfia-se que não terá tido o fim apropriado. Daí que nós, sociedade civil, queremos uma auditoria . Infelizmente o governo não aceita, e não temos esta possibilidade porque não temos essa autonomia”.
O sindicalista João Pedro vai na mesma linha. Para ele, falta transparência na gestão dos recursos e lamenta um eventual desvio de recursos exatamente no Kwanza-Norte. Depois de Luanda, a província é a área onde população mais padece devido à pandemia – com 18 casos de infecção pelo novo coronavírus. “Até [sobre] o dinheiro da Covid-19, ninguém sabe explicar. Onde meteram? Será que querem acabar connosco?”, questiona.
“Passem à investigação”

Apesar das queixas e do discurso de oposição quanto a forma de gestão dos recursos dedicados ao acolhimento das pessoas infestadas pelo coronavírus, não há nenhum pedido formal de auditoria.

“Os dados estão disponíveis via internet, sistema de finanças… Você pode abrir e vais ver como se gastou e como é que não se gastou. Agora, a classe jornalística tem que se habituar a investigar. Os equipamentos que nós compramos… Logicamente compramos, mas nunca é o suficiente, senão o governo angolano já não estaria a adquirir diariamente toneladas e toneladas de medicamentos. Os aviões chegam diariamente”, disse.

Uma fonte do Gabinete Provincial da Saúde local – que não aceitou gravar entrevista nem se identificar – revelou à DW África que o Ministério da Saúde de Angola colocou recentemente à disposição da província mais 10 milhões de kwanzas (equivale a mais de 15 mil euros) para custear outras despesas relacionadas à Covid-19. Os recursos, entretanto, não são suficientes.
A Comissão Interprovincial para o Combate ao Coronavírus deve a um empresário local do setor hoteleiro mais de 40 milhões de kwanzas (o equivalente a 61 mil euros). Há dívidas também relacionadas à alimentação de membros da comissão e de pacientes.

por:content_author: António Domingos (Ndalatando)

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